Tanto faz se dói ou não, tanto faz se machuca, o que importa é abrir a porta, desembainhar a dita cuja, a passageira e ferina, a destruidora assassina, o que importa mesmo é ver sangrar, corroer, doer.
O que importa é falar a primeira coisa que vier na cabeça sem se importar com o que o outro vai dizer de volta, por que sim, se imagina que a pessoa também tenha algo em mente.
Importa é maquinar o mal, é imaginar o que a pessoa está imaginando, importa tirar conclusões precipitadas e ficar chateado se outra pessoa fizer isso com você.
Vale é ter um discurso pronto. Quem ta livre se defende ali, na hora, sem textinho. Sem frases feitas (talvez algumas). Quem se prende, enrola e mente tem que ensaiar diversas vezes em casa o que vai dizer, como, pra quem e em que tom, e suprimir ou acrescentar detalhes dependendo da pessoa pra quem se conta, vale para o espelho também. Tem que passar e repassar, como o bom mentiroso que é, de língua tão cortante, quase espadachim. Vamos lá, acabe com alguém.
Fale mesmo, não se pondere, minta, atue, grite e invente coisas horríveis sobre pessoas que você mal conhece. Destrua, bombardeie e morra de uma bala certa na próxima esquina.

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