Cidade do Pecado

    Já é tarde, esse é meu ultimo caso, aposentadoria antecipada, ordens médicas, problema no coração.  Estava em casa polindo meu distintivo, tentando aceitar o fato de em alguns dias não poder usa-lo. Proteger as pessoas... Por toda a minha vida eu tinha certeza que meu destino era ajudar, salvar vidas, vivi uma vida gloriosa assim e agora estou no ultimo caso, um maldito psicopata assassino de crianças, o segui durantes meses e agora estou em uma pista quente, ele está com uma garota chamada Jessie, ela tem apenas 10 anos, meu coração aperta de raiva só de pensar.
Entrei em meu carro e segui seu rastro até um galpão perto do porto, essa cidade fede e esse lugar fede mais ainda... Logo quando cheguei, vi o carro do meu parceiro John, porque John esta aqui? O que ele tem haver com isso? Fui então falar com ele.
- O que está fazendo aqui? – perguntei em tom de raiva.
- Perguntaria o mesmo se não te conhecesse tão bem Charlie - falou aquele canalha – não vou deixar você continuar, eles iram lhe matar, volte para casa, volte para sua família.
    Aquela atitude me deixou nervoso, meu parceiro durante anos, se nega a salvar uma garota de um psicopata? Soquei-lhe a cara. Vendo ele caído, Fui embora! Entrei no galpão, vejo dois bandidos perto de um carro, não posso fazer nenhum barulho, se aquele maldito ouvir ele mata a pequena Jessie. Bati com um ferro na cabeça dos dois, acho que morreram, mas não tenho tempo para conferir. Entro no galpão e percebo que ele já estava me esperando, colocou uma arma na cabeça da pequena Jessie, eu olhei fixamente para o rosto dele, a raiva me consumia, poderia encher ele de bala agora mesmo, mas tem a pequena Jessie...
- Feche os olhos Jessie, você não precisa ver o que vai acontecer agora. – Falei e mirei na sua testa.
DROGA! Logo depois que falei ele atira no meu braço direito.
- Você está velho, incapaz, a polícia deve ter vergonha de lhe ter ainda. Nem levantar a mão e atirar você consegue.
Tristes palavras essas. Levantei meu braço e atirei em sua orelha direita que logo foi para bem longe. Ele jogou a pequena Jessie para o lado e correu até os fundos. Olho a Jessie e vejo que está tudo bem, vou atrás dele. Atiro em seu pé direito... Ele cai! O maldito levanta a arma tentando me atingir novamente, atiro em seu braço. Ele grita horrores e isso para mim é musica. Atiro em sua genitália, ele nunca mais vai machucar alguma garotinha. A pequena Jessie chega e fica ao meu lado, não quero que ela veja isso.
- Feche os olhos, pequena Jessie. Isso logo vai terminar – falei para a pequena princesa
    Ouço tiros, olho para minha arma, não foi ela, já sinto o sangue percorrer meu corpo, um no peito outro no braço, dois tiros, atiraram em mim, quem foi,  tento olhar, me viro e vejo lá meu parceiro John, foi ele que atirou em mim, começo a rir e penso “péssima maneira de terminar uma parceria”, ando com dificuldades e caiu sentado no chão.
- Eu disse para você não entrar, eu falei, tive que fazer isso, tudo culpa sua, o que vai lhe matar é esse seu trabalho, esse psicopata é filho do senador, é inatingível, o que você está pensando? Que pode tudo? Na nossa cidade quem manda é o senador e você está perdido. – falou o miserável do meu ex-parceiro.
    Olhando aquele filho da puta em minha frente, penso em falar varias coisas, mas percebo que minha arma reserva está em minha perna.
- Seu miserável, seu rato! Você não merece nem minhas palavras, eu posso acabar com você agora mesmo, eu posso lhe matar, matar esse psicopata nojento e ir embora com essa garotinha.
    Tento então tirar minha arma, ele atira mais duas vezes em mim, os dois tiros na costela. Deixo a arma cair e percebo que nesse caso, pela primeira vez em minha vida, estou em desvantagem. O telefone dele está tocando, ele atende, mas não tira o olho de mim, se ele virar por um momento eu pego minha arma e acabo com isso tudo, mas ele me conhece não tira o olho de mim, se eu pegar estou morto, acho melhor fechar os olhos, minha vida já está acabando, é hora de dormir...
    Pouco tempo depois acordo com John batendo na minha cara, ele ri, maldito canalha!
- Nunca pensei ver você assim um dia, você parecia invencível. – ele continuou olhando fundo nos meus olhos.
- O que droga você quer. Fale! Não tenho como fugir ou não ouvir o que você tem a dizer. – respondo já cansado e torcendo por um tiro na cabeça.
- Você está acabado, dessa vez você perdeu, admita! O senador não vai lhe perdoar, enquanto você viver sua vida será um inferno. Ele não vai medir esforços para acabar com sua vida, vai usar essa garotinha contra você. Enquanto você viver, a vida dela será um inferno! Se você sair vivo daqui, será preso. Pense no que vai fazer, estou indo embora!
   Ele pegou Jessie e foi embora. Deixou-me caído com vários tiros em meu corpo e o maldito psicopata caído mais ao lado chorando por conta da dor e da falta de sua genitália. “Enquanto você viver, a vida dela será um inferno, ele vai usa-la contra você” essas palavras não saiam de mim. Olho minha arma ao lado, atiro duas vezes na cabeça do filho do senador, aquele maldito gritava tanto e me atrapalhava no pensamento.  Olho fundo minha arma, ela está comigo há anos. Não posso transformar a vida daquela menina em um inferno, ela não merece, estou velho, doente, meu coração doí a cada bombeada, ouço o barulho da ambulância, eu posso me salvar mesmo estando com dificuldades de abrir os olhos. Jessie volta em minha cabeça, procuro uma solução, engatilho minha arma. Rindo eu decido o que fazer  “É uma boa troca, uma ótima troca” diz o morto.

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