Eu deveria estar morta, na verdade eu acho que eu estou.
Maldita escolha eu fiz, estou parando de comer pra ter um corpo perfeito.
Não vou fazer como tantas outras e culpar a sociedade pela minha doença.
Comer não é um vício, não é compulsão. A gente precisa disso, mas eu gostaria de não precisar.
Me orgulhando de uma costela à mostra, de um ilíaco exposto e um sorriso amarelo no rosto.
Essa sou eu no chão do banheiro, me cortando com cacos do espelho.
Chega de olhar pra mim e me sentir um monstro, chega de ver a perfeição nos outros e marcas de desgaste em mim. Chega dessa fitinha vermelha me lembrando que eu sou uma fraca. Não Ana, fique. Me ponha pra dormir.
Eu sou doente. Só que no meu caso, o antídoto é o veneno. O que me nutre me destrói.
Mas você não sabe da minha dor, não sabe o meu sacrifício, não sabe o que é ouvir os barulhos no seu estômago e ter que encarar como se fossem borboletas de aplaudindo. Você não sente as dores que eu sinto, não é tão forte à tentações como eu sou. Então dane-se, eu tenho os meus motivos.
Minha porra de sonho. Morra Ana, morra! Eu preciso respirar só mais uma vez.
" E a dor é menor do que parece.
Quando ela se corta ela se esquece
Que é impossível ter da vida calma e força.
Viver em dor, o que ninguém entende
Tentar ser forte a todo e cada amanhecer.
Uma de suas amigas já se foi. " (Renato Russo)

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