Auto-Convicção


Meu rosto é um sorriso e meu coração duas pedras de gelo. Meu bolso nem sempre é dinheiro, às vezes se torna uma boa dose de amnésia em seu lugar. Por muito tempo minhas costas tentaram ser a pesada humildade.
Enfadado, optei por deixar meus braços serem o leve orgulho, só para equilibrar o peso. Meus olhos são sofrimento, daqueles de quem já viveu de menos e chorou demais. Porém, meu assobio é esperança, que me faz secarem os olhos. Por fim, meus pés, para me proteger das possíveis pedras no caminho, são algo chamado “invulnerabilidade”.
Gosto de quando acordo cedo, sentir o sol da manhã, carregando meu rosto em meu rosto, e no final da tarde, sempre que posso, ponho meu coração num copo de uísque e dou uns tragos. Alguns dias tiro-me o bolso do bolso pra uso ou empréstimo, noutros o enrolo em papel de arroz. Mas vale ressaltar, que uma coisa da qual me livrei são minhas costas. Sou o que sou porque tenho meus braços. Meus olhos me ensinaram a viver e meu assobio a não ter medo, porque eu sou forte, como meus pés.

Um comentário:

  1. Digo, que é cheio de poréns e armadilhas que podem deixar o leitor um tanto quanto confuso. Mas aí esta a graça do texto. Faz pensar. Um dos melhores que já vi de você Caetano. Parabéns!

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