Unsemdois



O medo do escuro, o vazio da solidão, a voz do coração, o lapso do tempo, o descanso do relógio, a quebra do compasso, o barulho da ventania, a loucura no pensamento, o ódio e o perdão. A fuga da realidade, o contraste do horizonte, a diferença das nuvens, o silêncio de Deus, a magia da imaginação, o sussurro amigo, a vingança e a coragem,  o amor ou a paixão?

Os primeiros erros, o encontro das águas, o silêncio das estrelas, os sinais de fogo, os esquadros de Calcanhoto, a lua cheia, a alegria de Caetano. A formular do amor, a duvida no infinito, a lógica de ser, o desgosto no choro, o oposto de todos,  o eco da fome, o grito interno, a esperança biforme, o egoísmo exuberante, a razão sem fé, a fé com razão, as linhas transversais, a miragem óptico, os longos passos, a discórdia, a rua, a casa, o papelão.


A mudança nas estações, o nosso blues, o copo vazio, a risoflora, os rios, as pontes, overdrives. A linha do equador, a casa no campo, segunda-feira, o sentimento ilhado, a calma, a paciência de Lenine, as condições de Jay Vaquer, o devaneio, a voz, o violão, o Jorge Vercillo, a contraversão.   A fixação, os olhos, cabelo, pele, mãos. A corrida ao pódio, a ganancia nos olhos, sete palmos do chão. As sombras da geração passada, a futilidade, a falta de escrúpulos, um brinde a todos nós, meus parabéns.

Um par, a janta, saudade, os detalhes, a Lili Braun, os encontros e desencontro. A flor, o giz, as lágrimas, a chuva, a ciranda, o café, a pele crua. A despedida, água contida, o teto de vidro, um mestre, o som, o tom, Jobim. As mulheres, as fases, a lança, o lança, os laços, o perfume, o fim do mês, as profecias, os mil anos, e o Raul Seixas?

O controle do sistema, os partidos, as uniões, o cálice, as revoltas, os caras, pintadas, as escolhas aos 16, a impunidade aos 18, por quê? A sede por conhecimento, a pouca responsabilidade, a correria, a oportunidade, o niilismo, cabe tudo dentro do caixão? É o povo que merece seu estado, ou é o estado que merece seu povo?  Quem é o escravo, quem é o chefão? O que importa de verdade é ter dinheiro ou o mundo nas mãos?

Onde está minha alegria, liberdade, maturidade? Onde está os ensinamentos, o livro sagrado, o amor ao próximo? Onde estão os meus direitos? Porque estamos presos ao passado? Porque a ciência não cansa? Por que a maldade, o pacto, a vela, a mão, a reza, um susto, um pulso, um piscar, e quem foi ? quem disse, quem viu ? E o descanso, cadê? Porque a feição de magoa, porque o preto, porque o desabafo? porque estão todos de olhos fechados?

Um comentário:

  1. Eu amo esse texto, leio todos os dias, a Dí como sempre imprimindo o sentimento nas palavras. Parabéns.

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