O que dizer?
Eu tenho você, não, na verdade eu não tenho, mas você está
dentro, como parte de mim, então eu tenho. Você é meu e deve saber, os tremores
e suor frio indicam isso, não há como esconder. O que eu tenho é uma bosta de coração em reforma.
O que fazer?
Não possuo você, quer dizer, fisicamente eu não possuo você.
Fiz um pacto com aquela tal deusa, a da noite. A deusa do nosso refugio, do
nosso pacto, do nosso sangue que ferve igual. Você sabe dessas coisas, por que
não vem? Britadeiras no juízo.
Eu vou mudando, me adaptando a viver com o pouco de você, o
que quase não vem de você, o quase nada. Sem você. Só o restinho, como receber
sua dor através do contato e secreções.
O que dizer? Eu dependo da sua dor, a dor nos acostuma e nos
alerta, tem seu lado bom, percebo que estou viva. Com cortes, fome e borboletas
na alma. Belas demais. Colando que só cimento puro.
O que fazer? Vou me mantendo, mudando. Eterno desejo de esquecer você e lembrar, na
verdade eu só te queria sem ter que sofrer tanto. Sem reboco forçado, sem areia.
Eu faço. Vou mudando.

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