A mente escancarado de um Nefelibata.



Eu já não sei se escrevo porque gosto, ou se é por obrigação. Como todos os outros sentimentos que tenho, entram em uma espécie de eterno comodismo e começam a agir como uma engrenagem sem freios. Escrever esta se tornando tão trivial quanto um piscar de olhos e era isso que eu temia. Eu não consigo mais entender como essa coisa toda funciona, quando é que a gente se encontra novamente? É que tudo anda tão perdido, fora de forma, as coisas não estão mais nos mesmos lugares, as pessoas já não são as mesmas apesar dos mesmos rostos, os perfumes parecem ter ganhado cores, o céu tem mudado de cor mesmo continuando cheirando a azul, e a sinfonia de Beethoven  que parece ter ficado mais bonita com o tempo, vocês entendem? Nem eu, porque o que eu preciso dizer já nem é mais o que eu quero de verdade? Será que isso é loucura minha, será que isso tem cura?
Como tudo isso era, antes de ser alguma coisa? Como eu era antes de ser alguma coisa? Eu sou alguma coisa? Quem me criou que trate de me descriar em coisa alguma, faça o favor.  Eu quero o começo novamente, eu quero saber o que eu procuro. Alguém pode me dizer o que está acontecendo? Porque essa dor parece não passar nunca? E esse vazio que de tão profundo parece ter cessado... Quem foi que me disse que os dias passam rápido demais? Ora, me faça esquecê-los porque os meus parecem ser uma eternidade. Só pode ser uma espécie de alucinação, mas quem é que me garante que eu estou acordada? E como é que eu sei, fora o fato dos meus pulsos quase pularem fora da pele, que eu estou viva? Imagino que seja culpa das minhas tantas xícaras de café em uma mesma noite... Mas eu sei que esse é o motivo? Alguém sabe? Não, provavelmente não, porque esse saber exigiria uma mente onisciente e eu não conheço ninguém que a possua. Sabe, por isso eu apenas escrevo e deixo que cada um tire suas próprias conclusões, e eu até prefiro que elas fiquem dentro de cada um, ou então que me respondam com um sorriso. Porque é exatamente isso que eu estou tentando fazer agora, rir da minha própria ignorância como resposta. 

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